19 fevereiro, 2006
[Devaneio] - E o sorriso triste, com gosto de cinzas, que aqui se perpetua sem razão para se extinguir...
Não houve eco.
Ele permaneceu então em silêncio, surpreso com aquelas palavras que subitamente tinham surgido em sua boca e escapado pelos seus lábios. Mas, sabia bem que aquela era a verdade.
Seus olhos continuam a observar a escuridão que se estendia acima dele (e, já desistira de pensar em tempo). E, em seus pensamentos, tinha certa vontade de conhecer o passado que se ocultava em sua alma, e que ainda lhe influenciava, mesmo sem saber o que exatamente era.
Mais uma vez a brisa (e, cuja origem também já buscava ignorar) soprou, como sussurrando algo em seu ouvido... sentia que ela continha os segredos, mas que lhe ocultava, fosse por maldade, fosse por piedade.
Ele ergue a mão direita, como se assim pudesse sentir melhor aquela brisa que carregava um aroma distinto, fazendo-o lembrar de campos verdes esmeralda de céu cinzento, ainda que tivesse certeza de nunca por um lugar assim ter passado.
Mas, talvez fosse melhor que os segredos, ao menos por enquanto, permanececem como segredos. A brisa mantinha-se a soprar, com entendendo que ele a apreciava, tornando-se aos poucos mais fraca até desaparecer mais uma vez.
Logo ele solta o braço, deixando cair atravessado ao corpo. Sentia o sono vir uma vez mais.
E, pela primeira vez desde que acordara naquele lugar, fechou os olhos desajando sonhar.
Sussurro de Vincent Ferdinand Hirscher, às 1:06 AM.
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11 fevereiro, 2006
[Devaneio] ... e uma brisa gélida soprou.
Ele abriu os olhos. Uma... brisa? Ele volta a olhar ao redor; ainda tinha a sensação de que aquilo era um lugar fechado, mas, apenas vendo sombras, era impossível ter certeza.
De qualquer forma, a brisa havia acordado-o de seus sonhos estranhos e questionamentos. Mais uma vez se perguntava quanto tempo havia passado desde de que ali havia se sentado, mas não conseguia nenhuma respsota conclusiva.
Ele se levanta, lançando mais uma vez seu inexpressivo olhar ao redor: as velas mantinham suas chamas trêmulas e contínuas, como se nunca se extinguissem. E, pensando bem, isso era mesmo possível.
As lentes disformes espalhadas pelo "lugar", penduradas por finos fios (e onde estariam presos esse fios?), mantinham o jogo de luzes e sombras, complexo, e com seu leve giro sem ordem ou sequência, criavam novas e únicas formas.
Ele dá um passo. Mas, para onde? Seu olhar volta a percorrer o "lugar", tentando encontrar alguma referência, mas a distribuição caótica dos objetos não facilitava muito isso. Com um suspiro, ele retorna um passo e senta-se mais uma vez na grande a macia almofada. Ao menos, algo confortável.
Ele estira mais o corpo, deixando a cabeça pender para trás, os olhos a fitar a escuridão acima de sua cabeça, a respiração calma, pausada, sutil, quase imperceptível.
O silêncio é absoluto, como se mesmo as chamas fossem esculturas sem corpo a se mover no vazio, e a a brisa não mais desejasse se mover.
Naquele instante, uma estranha sensação de paz, tranquilidade e serenidade (talvez, até algo que remotamente lembrasse a felicidade) se apoderou de seu corpo, sua mente, sua alma. Ainda tinha o espinho da solidão preso em seu coração, mas, mesmo que não lembrasse precisamente de seu passado, sabia que há muito tempo não se sentia tão bem, mesmo que estivesse ali sozinho (e, aliás, sabia também que há muito tempo estava sozinho).
Algo, como um vago sorriso, surgiu em seus lábios, ali permanecendo até seus olhos se cerrarem mais uma vez e ele perder a consciência novamente.
Sussurro de Vincent Ferdinand Hirscher, às 7:14 PM.
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05 fevereiro, 2006
[Devaneio] ... e estava ali, perdido em meio àquelas sombras...
Não somente sombras, por sinal. As inúmeras velas espalhadas por aquele salão (ou aquele lugar não possuia limites tal qual os precipícios de sua mente?) combinadas aos inúmeros espelhos e lentes, desordenadamente posicionados, criavam complexas tramas de luz e sombra.
Estava jogado ali havia algum tempo. Quanto? Bem verdade, o que era o tempo?
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Mas não era hora para esse questionamento.
Ele se ergue. A cabeça ainda um pouco dolorida (teria sido uma queda? também não lembrava de sua chegada ali), e logo seus olhos se acostumam com a parca iluminação. Com passos rápidos, ele percorre um pouco daquele lugar.
Não se lembrava de como chegara, não se lembrava de ter passado por ali vez alguma em sua existência... mas, conhecia aquele lugar, como se em algum de seus sonhos (ou pesadelos) tivessem ali transcorrido.
Mas, sabia que não era isso também.
A cabeça volta a latejar um pouco. Ele volta a se sentar, dessa vez sobre uma almofada, cuja cor ignorava, esperando a dor passar.
E, enfim, notara que não mais era capaz de ver cores... apenas um universo em preto e branco.
Sussurro de Vincent Ferdinand Hirscher, às 2:33 AM.
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