19 fevereiro, 2006
[Devaneio] - E o sorriso triste, com gosto de cinzas, que aqui se perpetua sem razão para se extinguir...
Não houve eco.
Ele permaneceu então em silêncio, surpreso com aquelas palavras que subitamente tinham surgido em sua boca e escapado pelos seus lábios. Mas, sabia bem que aquela era a verdade.
Seus olhos continuam a observar a escuridão que se estendia acima dele (e, já desistira de pensar em tempo). E, em seus pensamentos, tinha certa vontade de conhecer o passado que se ocultava em sua alma, e que ainda lhe influenciava, mesmo sem saber o que exatamente era.
Mais uma vez a brisa (e, cuja origem também já buscava ignorar) soprou, como sussurrando algo em seu ouvido... sentia que ela continha os segredos, mas que lhe ocultava, fosse por maldade, fosse por piedade.
Ele ergue a mão direita, como se assim pudesse sentir melhor aquela brisa que carregava um aroma distinto, fazendo-o lembrar de campos verdes esmeralda de céu cinzento, ainda que tivesse certeza de nunca por um lugar assim ter passado.
Mas, talvez fosse melhor que os segredos, ao menos por enquanto, permanececem como segredos. A brisa mantinha-se a soprar, com entendendo que ele a apreciava, tornando-se aos poucos mais fraca até desaparecer mais uma vez.
Logo ele solta o braço, deixando cair atravessado ao corpo. Sentia o sono vir uma vez mais.
E, pela primeira vez desde que acordara naquele lugar, fechou os olhos desajando sonhar.
Sussurro de Vincent Ferdinand Hirscher, às 1:06 AM.
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