02 abril, 2006

[Conto] Anjo da Noite

Meia-noite, anuncia o relógio da praça central.

Andando sozinha pela noite fria e silenciosa, sem rumo, quando avisto uma pequena criança, vestida com uma roupa estrangeira, sorrindo perante o risco de luz tão fraco da lua coberta de nuvens. Sua pele pálida como a neve, seus lábios paralisados no mesmo movimento de meia lua, grandes olhos verdes olhando atentamente para mim sob os longos cabelos negros que lhe encobrem o rosto, encarando-me atentamente, como se estivesse me esperando, enquanto eu, perplexa, tremia. Ignorava o motivo, mas era fácil supor: nenhuma criança jamais me olhara daquele jeito.

Continuei andando, tentando desviar o olhar, passei por ela, Percebi estar sendo seguida. Continuei. Chegando até a estação de metrô, tomei coragem de olhar. Quando me virei, a criança continuava andando até passar por mim. Ela agora tinha uma expressão séria e fria, mas ainda doce como uma inocente criança. Então ela parou perante uma porta, e me chamou.

O metrô havia parado, estação deserta. Eu não sabia o que fazer. A criança chamou novamente, sorriu e entrou pela porta e isso me fez voltar a mim.

Então como se uma força maior me levasse, eu a segui. Ao passar pela porta escutei o barulho do metrô partindo; era o último da noite. Então eu voltei e corri até a plataforma. Tarde demais, ele já havia partido.

A criança chegou por traz, me abraçou e sussurrou palavras que eu não entendi. Eu a empurrei e com raiva saí correndo, sem tentar entender o que ela havia sussurrado. Peguei um táxi e acabei com meu dinheiro todo. Estava morrendo de ódio, pensava "Por que segui aquela criança?". Amanheceu e eu fui trabalhar.

A manhã e a tarde passaram, o dia trabalhando para mim, pois eu não fazia outra coisa a não ser esperá-las passar. Nada era feito.

Então eu li no jornal que o ultimo metrô de ontem havia perdido o controle causando uma explosão horrível, sem sobrevivente. Então eu entendi o que a criança havia dito: "Por favor, me perdoe por isso, mas sua vida é mais importante...".


((texto de Ana Sick, edição de Johannes S. Rozen))

Sussurro de Vincent Ferdinand Hirscher, às 11:07 PM. 0 Comments

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Tatta Hitotsu No Omoi
Kokia

Tatta hitotsu no omoi tsuranuku
Muzukashisa no naka de boku wa
Mamorinuite misetai no sa
Kakegae no nai mono no tame ni
Hatashitai yakusoku

Gimon darake no yo no naka
Kotae wa mitsukaranai mama
Sore de mo mae ni susumu no Why?
Sora e to nobiru itosugi
Massugu sashishimeshita michi
Ima to iu kiseki o shinjiyou

Yume mitai na genjitsu
Kono te de kaerareru mono nara

Tatta hitotsu no omoi tsuranuku
Muzukashisa no naka de boku wa
Mamorinuite misetai no sa
Kakegae no nai mono no tame ni
Namiutte iru kodou ni chikau yo
Moetsukiru made hashiritsuzukeyou
Ikinuite koso kanjirareru
Eien no itoshisa no naka
Hatashitai yakusoku

Oka no shita saku himawari
Mabushiku hirogaru kiiro wa
Kibou no hikari o terasu yo

Kaerareru mono nara
Chigatta ikikata aru hazu to

Subete kakeyou ataerareta
Toki no naka de kagayaite itai
Tada iki o shite koko ni iru dake
Sore dake na no ni afuredasu kimochi
Boku ni wa boku no shiawase ga aru
Sou omoeru dake de dore hodo
Kono shunkan ga itooshii hodo
Hikari o hanatte yuku yo

Hitori de susumu ni wa
Nagasugiru michinori
Dareka ga kono tobira
Akenai ka matteru

Tatta hitotsu no omoi tsuranuku
Muzukashisa no naka de boku wa
Mamorinuite misetai no sa
Kakegae no nai mono no tame ni
Namiutte iru kodou ni chikau yo
Moetsukiru made hashiritsuzukeyou
Ikinuite koso kanjirareru
Eien no itoshisa no naka

Hatashitai yakusoku

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