11 abril, 2006
[Conto/Relato] 12:41
E tudo que sentia era aquele vazio, aquele aperto no coração.
O ônibus estranho no qual estava transitava por ruas ainda desconhecidas para seus olhos, e que também não fazia questão alguma de um dia vir a conhecer.
Queria ir embora. Queria sumir. Queria partir para longe.
... queria esquecer tudo, ser outra pessoa, começar do zero em algum lugar que não soubessem quem era, que não conhecessem seu passado.
Mas, acima de tudo, sentia aquele tão rotineiro e forte arrependimento pelos erros do passado. Pela tragédia montada precisamente ao longo do tempo, e que cada vez mais corroía a sua alma pela culpa.
Já possuía quase certeza absoluta de seu egoísmo, e de que daria tudo o que conquistara, toda a felicidade que havia traziado para outras pessoas, em troca de mudar o que havia passado, em troca de ter apenas a própria felicidade e a de outra pessoa.
No então, é impossível mudar o que passou, ou mesmo tentar consertar o que hoje é.
Sua mente se enche mais uma vez com os pensamentos e sentimentos amargos... dor, solidão... desespero... Mesmo o medo que sentia não era pelo perigo que aquele horário tão avançado oferecia em seu retorno àquilo que tentava chamar de "lar", mas por tudo que havia perdido ,e o quanto sabia que ainda iria perder...
Encostado ao gélido vidro da janela ele chorou suas silenciosas lágrimas, cada dia mais abundantes, cada dia mais marcadas em seu rosto.
Naquele ônibus, após a meia-noite.
Sussurro de Vincent Ferdinand Hirscher, às 1:43 AM.
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