01 abril, 2006
[Conto/Relato]Gélido Abril
O que era aquele frio que ele sentia?
A brisa soprava forte do lado de fora da casa à medida que a madruga corria montada nos ponteiros de fiéis relógios. O portão tremia, emitia suas batidas surdas metálicas, e logo se silenciava.
Os olhos dele percorriam o monitor; ao fundo, a Bachiana nº 5 se desenrolava rápida, melancólica, como seu olhar, comos seus pensamentos solitários e sem sorrisos...
Em seus lábios, ainda sentia o amargo do último sorriso, mas ainda assim tinha o desejo por um novo.
No final, estava mesmo sozinho, sem rumo, sem desejos, sem... sem... sem sonhos, sim, sem sonhos, nas palavras mais exatas.
Tempos antes havia comentado que uma pessoa só era capaz de ter forças quando lutava por algo, um ideal, um sonho... e agora entendia porque ele, antes tão decidido, estava onde estava.
O tempo passava, e os sonhos não vinham. E não viriam mesmo que fosse logo dormir. Ali, em seu leito, seria visitado apenas pelos devaneios surreais de realidades estranhas e aparentemente impossíveis.
O que era uma pessoa sem esperança? Uma pessoa sem sonhos? Uma casca repleta apenas de medos, que vê o tempo passar, chorando silenciosamente pelo momento derradeiro que é incapaz de adiantar. Era isso que sentia.
Um novo sabor amargo se forma em seus lábios.
O olhar perde o foco mais uma vez e ele se perde no grito de desespero oculto em sua mente.
Os instantes passam, enquanto ele olha vagamente para o teto, mas sem nada ver.
Então ele suspira e limpa da mente os pensamentos, banidos como se não existissem, e que esperariam apenas uma outra noite para voltar... e voltar...
Sussurro de Vincent Ferdinand Hirscher, às 3:31 AM.
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