01 maio, 2006

[Relato]Cemitério com Flores de Plástico

No final de semana de 22-23/04 tivemos a primeira bateria de concertos do ano: o primeiro, sexta à noite, em Ouro Branco; o segundo, sábado à noite, em Lavras Novas, que fica no município de Ouro Preto; o terceiro, domingo de manhã, em Tiradentes; e o último, domingo de noite, em São João Del Rei. Um tanto quanto cansativo a última parte, levando em consideração que voltei para casa eram três horas da manhã e tinha de acordar às sete, mas esse não é o ponto do post.

Em Tiradentes, o concerto foi realizado na Igreja de São João, uma das mais belas que já visitamos durante os últimos anos de concerto (segunda vez que vamos lá, salvo me engane); mas, apenas dessa vez fui dar atenção ao detalhe dos túmulos que se extendem ao redor da construção em si.

Devo dizer que é um local tanto quanto aconchegante, calmo (suponho que cemitérios em geral sejam assim, ou ao menos deveriam ser). Bem verdade, é um lugar muito simples, poucos túmulos mais elaborados; a maioria se resumia a cruzes de madeira ou metal, com diversas formas, algumas com tanto desgaste que não é mais possível ler nomes ou datas.

Observando algumas das datas, a primeira coisa a se notar é que a maioria indicava poucos anos de vida, não mais que cinquenta ou sessenta anos na maioria, denotando dois fatos principais: a fragilidade humana em sua existência, e a realidade onde viviam aquelas pessoas, de tão pouco tempo de vida, quando comparadas com pessoas de condições financeiras mais amenas.

Percorrendo um pouco mais, cheguei a encontrar duas cruzes que indicavam os mais curtos tempos de vida: um dia e quinze dias. Nesse ponto meus pensamentos passaram para os sentimentos das famílias que foram privadas daquelas jovens vidas, e de como a vida pode ser cruel às vezes.

Mais tempo, mais passos, mais leituras, e enfim a observação que marcou a minha mente: em todos aqueles túmulos, haviam apenas flores de plástico.

Não valeriam as memórias então um ornamento "real"? Seria preferível a troca de um ornamento vivo, belo e sincero, por aquelas eternamente mortas e imutáveis pétalas irônicamente pintadas de cores vivas? Tudo pelo que chamam de praticidade?

... e assim ,cada vez mais, o ser humano mata as suas memórias... talvez para tentar esquecer que ele também estará ali, um dia...

...

"Túmulos de Flores de Plástico"

E andando por aquela imensidão
entre pedras frias
de lúgubre significado
lanço meu olhar
àquele simples ramo de flores...

... para notar que nada mais eram
que falsas flores de plástico...

... flores estas que, por essência
já naceram mortas,
não estando então sujeitas
às mudanças que as coisas vivas
sofrem com o tempo...

... irão manter então eternamente
aquelas falsa beleza...

... sussurrando ao meu olhar
a ironia de suas pétalas mortas
desenhadas de cores vivas...

Sussurro de Vincent Ferdinand Hirscher, às 1:30 AM. 0 Comments

....................

Tatta Hitotsu No Omoi
Kokia

Tatta hitotsu no omoi tsuranuku
Muzukashisa no naka de boku wa
Mamorinuite misetai no sa
Kakegae no nai mono no tame ni
Hatashitai yakusoku

Gimon darake no yo no naka
Kotae wa mitsukaranai mama
Sore de mo mae ni susumu no Why?
Sora e to nobiru itosugi
Massugu sashishimeshita michi
Ima to iu kiseki o shinjiyou

Yume mitai na genjitsu
Kono te de kaerareru mono nara

Tatta hitotsu no omoi tsuranuku
Muzukashisa no naka de boku wa
Mamorinuite misetai no sa
Kakegae no nai mono no tame ni
Namiutte iru kodou ni chikau yo
Moetsukiru made hashiritsuzukeyou
Ikinuite koso kanjirareru
Eien no itoshisa no naka
Hatashitai yakusoku

Oka no shita saku himawari
Mabushiku hirogaru kiiro wa
Kibou no hikari o terasu yo

Kaerareru mono nara
Chigatta ikikata aru hazu to

Subete kakeyou ataerareta
Toki no naka de kagayaite itai
Tada iki o shite koko ni iru dake
Sore dake na no ni afuredasu kimochi
Boku ni wa boku no shiawase ga aru
Sou omoeru dake de dore hodo
Kono shunkan ga itooshii hodo
Hikari o hanatte yuku yo

Hitori de susumu ni wa
Nagasugiru michinori
Dareka ga kono tobira
Akenai ka matteru

Tatta hitotsu no omoi tsuranuku
Muzukashisa no naka de boku wa
Mamorinuite misetai no sa
Kakegae no nai mono no tame ni
Namiutte iru kodou ni chikau yo
Moetsukiru made hashiritsuzukeyou
Ikinuite koso kanjirareru
Eien no itoshisa no naka

Hatashitai yakusoku

......

Hoje...

Just me, Sara and Bartók

Passado...

fevereiro 2006
abril 2006
maio 2006
agosto 2006
março 2007
abril 2007
maio 2007
junho 2007
julho 2008

......

Melhor vizualizado em 1024x768

......