27 agosto, 2006

[Devaneio/Conto] Silent

... nem mesmo o farfalhar das folhas, ou mesmo uma brisa leve.

Apenas o silêncio, perdido na névoa branca que se espalha pelas ruas vazias.

Um silêncio aparentemente inquebrável.

Por algum estranho motivo, o som dos meus passos ecoa forte, como se a estranha névoa formasse uma barreira, uma parede, a prender-me naquela solidão interminável, num cenário simultâneamente lindo e assustador.

Um desconforto.

Frio.

E silêncio.

Mesmo a voz parecia não querer mais sair. O grito contido na garganta parecia recuar, como se o medo tivesse se emaranhado até o mais íntimo de minha alma.

Mais passos, vagando sem rumo.

As janelas fechadas, os carros estacionados, as árvores inertes... como poderia ser real aquele vazio, aquele momento aparentemente congelado no tempo?

Mas, tinha certeza: a névoa se movia... abraçando... estrangulando... lentamente.

As batidas do coração, desritimadas agora, já eram fortes o suficiente para que seu tão sutil som agora ecoasse naquele vazio.

Mais passos, desconforto, frio...

Mas, não mais silêncio.

Silêncio quebrado pelo som metálico de arranhar, de passos pesados e batidos, tão desritimados quanto o coração que perde mais de seu pouco controle.

O grito desaparece, sufocado pelo mesmo medo que quase interrompe a respiração.

O ar se preenche do cheiro de metal enferrujado... sangue... talvez este já saltando dos poros da pele, como também a fugir do medo crescente.

Cheiro do medo.

O arranhar para. Os passos param.

Uma brisa ligeira, estranha, sopra atrás de mim... movimento.

Os olhos se fecham, como a buscar a última esperança de que a realidade se desfaça e tudo se revele um pesadelo, mesmo sabendo que o pesadelo é a própria e indubitável realidade.

Um último instante de silêncio.

E o som de algo a cortar o ar.

Sussurro de Vincent Ferdinand Hirscher, às 1:15 AM. 0 Comments

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Tatta Hitotsu No Omoi
Kokia

Tatta hitotsu no omoi tsuranuku
Muzukashisa no naka de boku wa
Mamorinuite misetai no sa
Kakegae no nai mono no tame ni
Hatashitai yakusoku

Gimon darake no yo no naka
Kotae wa mitsukaranai mama
Sore de mo mae ni susumu no Why?
Sora e to nobiru itosugi
Massugu sashishimeshita michi
Ima to iu kiseki o shinjiyou

Yume mitai na genjitsu
Kono te de kaerareru mono nara

Tatta hitotsu no omoi tsuranuku
Muzukashisa no naka de boku wa
Mamorinuite misetai no sa
Kakegae no nai mono no tame ni
Namiutte iru kodou ni chikau yo
Moetsukiru made hashiritsuzukeyou
Ikinuite koso kanjirareru
Eien no itoshisa no naka
Hatashitai yakusoku

Oka no shita saku himawari
Mabushiku hirogaru kiiro wa
Kibou no hikari o terasu yo

Kaerareru mono nara
Chigatta ikikata aru hazu to

Subete kakeyou ataerareta
Toki no naka de kagayaite itai
Tada iki o shite koko ni iru dake
Sore dake na no ni afuredasu kimochi
Boku ni wa boku no shiawase ga aru
Sou omoeru dake de dore hodo
Kono shunkan ga itooshii hodo
Hikari o hanatte yuku yo

Hitori de susumu ni wa
Nagasugiru michinori
Dareka ga kono tobira
Akenai ka matteru

Tatta hitotsu no omoi tsuranuku
Muzukashisa no naka de boku wa
Mamorinuite misetai no sa
Kakegae no nai mono no tame ni
Namiutte iru kodou ni chikau yo
Moetsukiru made hashiritsuzukeyou
Ikinuite koso kanjirareru
Eien no itoshisa no naka

Hatashitai yakusoku

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